“No suor do teu rosto, comerás o teu pão, até que te tornes à terra; porque dela foste tomado, porquanto és pó e em pó te tornarás.” (Gn 3.19)
5. O corpo humano também será alvo da Redenção? Como? Nosso corpo abatido será transformado para ser conforme o corpo glorioso de Cristo, segundo o seu eficaz poder (Fp 3.20,21)
Leitura Diária
Tópicos da Lição
DA PERFEIÇÃO À MORTE
A certificação divina
O homem foi criado perfeito pelas mãos do Criador em toda a sua constituição, incluindo o corpo (Ec 7.29). Além da perfeição fazer parte da natureza divina (Dt 18.13; 2Sm 22.31), o próprio Deus — após a criação do homem — certificou a qualidade de sua obra: “[...] e eis que era tudo muito bom” (Gn 1.31). Havia plenitude de vida no primeiro casal. Adão e Eva viviam em completa harmonia com Deus, consigo mesmo, entre si e com a natureza. Quão aprazível era esse maravilhoso estado original! Afetada pelo pecado, nossa mente não consegue descrevê-lo, assim como não temos compreensão plena da glória futura, na restauração de todas as coisas (Rm 8.18-23; 1Co 2.9; 13.12; 1Jo 3.3).
Pecado e dor
A indizível sensação de bem-estar que o homem desfrutava era proveniente da vida que recebera de Deus e fluía em todo o seu ser (Gn 2.7,25; Jó 33.4). O pecado trouxe a incômoda experiência da dor, provocada por fatores espirituais, emocionais e físicos (Gn 3.7-19). Um complexo de alterações que vão da perda da comunhão com Deus (e da restrição à árvore da vida) à vivência em um ambiente agora adverso, amaldiçoado por causa da transgressão de Adão (Gn
17,18,22-24)
Em meio a tudo isso, o corpo passou a padecer e se degenerar, até cumprir a sentença final: o retorno ao pó (Gn 3.19). Por mais que se cuide dessa matéria, depois da Queda o caminho natural da vida é o envelhecimento e a morte (Ec 12.1-7). 3. Velhice, autenticidade e gratidão. Dentro do grave quadro de adoecimento mental que marca a sociedade hoje, um novo transtorno tem sido diagnosticado: a gerontofobia, um terrível e mórbido medo de envelhecer, que causa ansiedade e produz comportamentos incompatíveis com a idade. A Bíblia fala da velhice de uma forma natural, clara e direta, ressaltando seu valor e honra (Lv 19.32; Jó
12)
Enquanto isso, assiste-se a uma cultura de negação dessa fase da vida, a começar pela rejeição da palavra “velho”. Cuidar de si é muito importante, mas é preciso ser sábio e viver todas as fases da vida de maneira autêntica, em profunda gratidão e temor a Deus (Ec 8.5,6; 12.13). Precisamos reconhecer as características e a importância de cada etapa de nossa existência (Pv 20.29).
O ser humano foi criado em perfeição, mas o pecado trouxe dor, envelhecimento e a morte física como consequência da Queda.
PECADO E MORTE
“Quando Adão e Eva pecaram, a morte moral e espiritual veio de imediato (cf. 2.17; cf. Jo 17.3, nota), enquanto a morte física ocorreu posteriormente (5.5). (1) Deus havia dito: ‘no dia em que dela comeres, certamente morrerás’ (2.17). Moralmente, a vida de Deus morreu neles, e a sua natureza tornou-se pecaminosa (isto é, espiritual e moralmente corrupta, contrária à natureza perfeita e pura de Deus). Espiritualmente, o antigo relacionamento com Deus foi destruído. A anterior inocência foi substituída pela culpa e pelo juízo. A partir de então, cada pessoa que nasce vem ao mundo com uma natureza pecadora (Rm 8.5-8). Essa corrupção da natureza humana envolve um desejo inato (isto é, congênito) e uma tendência de seguir pelo próprio caminho egoísta sem interesse por Deus ou pelos outros. A natureza pecadora é transmitida a todos os seres humanos (5.3; 6.5; 8.21; veja Rm 3.10-18, nota; Ef 2.3). (2) A Bíblia não ensina que todos pecaram quando Adão pecou, nem que a sua culpa pessoal foi colocada sobre toda a raça humana (veja Rm 5.12, nota). A Bíblia ensina que Adão introduziu a Lei do pecado e da morte a toda a humanidade (cf. Rm 5.12; 8.2; 1Co 15.21,22) e, desde então, cada pessoa que vive decide seguir o seu próprio caminho (Is 53.6)” (Bíblia de Estudo Pentecostal — Edição Global. Rio de Janeiro: CPAD, 2022, p.13).
A RESPONSABILIDADE HUMANA
Corpo e livre-arbítrio
Como consequência de sua transgressão, Adão e Eva passaram a conhecer não somente o bem, mas também o mal (Gn 3.22), e todos os seus descendentes nascem inclinados ao pecado (Gn 6.5,12; Rm 5.12). Mas apesar de o pecado ter desfigurado a imagem de Deus no homem, não a aniquilou (Gn 9.6; Tg 3.9). Um dos significados disso é que o ser humano continua dotado de livre-arbítrio (Dt 30.19,20). Somos responsáveis pelo uso de nosso corpo, para o bem ou para o mal. Como disse Deus a Caim: “Se bem fizeres, não haverá aceitação para ti? E, se não fizeres bem, o pecado jaz à porta, e para ti será o seu desejo, e sobre ele dominarás” (Gn 4.7).
A potencialização do sofrimento
Além das consequências naturais decorrentes do pecado original, o corpo também sofre impactos das transgressões que o ser humano pratica ao longo da vida, inclusive contra si mesmo (Lm 3.39; Rm 1.24; 1Co 6.18). Essa potencialização do sofrimento decorre das obras da carne (gr. sarx: natureza pecaminosa) (Gl 5.19-21). É a manifestação do espírito de inimizade contra Deus, que Satanás, a antiga serpente, instilou no coração humano ainda no Éden (Gn 3.1-6; Tg 4.1-4; Ap 12.9). Esse quadro de corrupção foi
observado logo nas primeiras gerações e somente se agrava (Gn 6.1-5; Mt 24.12,37; 2Tm 3.13). As drogas são um dos instrumentos de profunda degradação do corpo. As práticas sexuais ilícitas também crescem. Crianças e adolescentes são os mais vulneráveis, e dependem cada vez mais de um vigilante, amoroso e firme cuidado dos pais, no temor do Senhor (Pv 3.12; 4.10-15; 14.27; Ef 6.4). Qualquer negligência pode resultar em gravíssimas consequências.
Mesmo após a Queda, o ser humano possui livre-arbítrio e é responsável por suas escolhas que afetam o corpo e a vida diante de Deus.
“SEREIS COMO DEUS
Satanás sempre tentou os seres humanos a crerem que podem ser como Deus e a decidirem por si mesmos o que é bom e o que é mau — o que é certo e o que é errado. (1) Ironicamente, ao tentarem ser ‘como Deus’, os homens se separaram do Deus Todo-Poderoso e tornaram-se falsos deuses para si mesmos (veja o v.22, nota; Jo 10.34, nota). As pessoas então procuram obter conhecimento moral e fazer juízos éticos usando o próprio raciocínio em lugar da Palavra de Deus. Mas Deus ainda é o juiz supremo que decide o que é certo e errado. (2) As Escrituras dizem que todos os que agem como se fossem seus próprios deuses ‘desaparecerão da terra e de debaixo deste céu’ (Jr 10.10,11). Este será também o destino do anticristo, que reivindicará ser Deus (2Ts 2.4)” (Bíblia de Estudo Pentecostal — Edição Global. Rio de Janeiro: CPAD, 2022, p.13).
DO ABATIMENTO À GLORIFICAÇÃO
A realidade das enfermidades
Com o pecado, as doenças também passaram a fazer parte da vida humana. Elas surgem no processo de degeneração dos órgãos e sistemas do corpo por causas internas e externas, e estão entre os fatores que levam o ser humano de volta ao pó (Gn 3.19). Ninguém está imune ou isento de sofrê-las; nem mesmo os cristãos. Paulo menciona seu cooperador Trófimo, que deixara doente em Mileto (2Tm 4.20). A Timóteo recomendou: “Não bebas mais água só, mas usa de um pouco de vinho, por causa do teu estômago e das tuas frequentes enfermidades” (1Tm 5.23). Tudo indica que o jovem pastor tinha um corpo debilitado por algumas doenças, provavelmente distúrbios gástricos. Jesus tem poder para nos curar de todo o mal (Is 53.4; Mt 4.23; Hb 13.8), mas precisamos ter serenidade, paciência e firmeza na fé se enfrentarmos sofrimentos persistentes (Jó 1.20-22; 19.25).
Enfado e canseira
Mesmo que o corpo não seja abatido por doenças, o próprio processo de envelhecimento traz canseira e enfado (Sl 90.10). Limitações e fraquezas surgem ao longo da vida, alterando toda a estrutura humana. Ter consciência disso é importante para nosso autoconhecimento, como já vimos, mas é essencial também para uma convivência cristã sem orgulho ou acepção de pessoas (Tg 2.1; Gl 6.10). Ricos e pobres são como a erva que seca e a flor que murcha e cai (Tg 1.9-11; 1Pe 1.24). Promover a comunhão entre todos é missão fundamental da igreja (At 2.42-46).
O corpo glorificado
A esperança do salvo por Cristo que vive em santificação é de uma Redenção completa, inclusive do corpo (Rm 8.23). É o aspecto futuro da salvação, a glorificação. Nosso corpo abatido será transformado para ser conforme o corpo glorioso de Cristo, segundo o seu eficaz poder (Fp 3.20,21). O verbo “transformar” nesse texto é metaschematizo, no grego, e significa “mudar a forma”. Será a mudança do corpo terreno, carnal e mortal, para o celestial, espiritual e imortal, semelhante ao de Cristo Jesus, o Homem Perfeito (1Co 15.40- 49; Rm 8.29).
Apesar das enfermidades e limitações do corpo, o crente tem a esperança da glorificação, quando seu corpo será transformado à semelhança de Cristo.
Apesar de todo o abatimento e sofrimentos que experimentamos em nosso corpo como consequência do pecado e de nossas próprias transgressões, em Cristo temos a certeza de uma Redenção completa, conquistada por sua obra perfeita na cruz do Calvário. Ele nos dará um novo corpo, eternamente transformado e saudável (Ap 21.4-6; 22.2).
1. Como era a vida de Adão e Eva antes da Queda? Havia plenitude de vida no primeiro casal. Adão e Eva viviam em completa harmonia com Deus, consigo mesmo, entre si e com a natureza.
2. Qual o nome dado ao transtorno mental ligado ao envelhecimento? O que ele significa? A gerontofobia, um terrível e mórbido medo de envelhecer que causa ansiedade e produz comportamentos incompatíveis com a idade.
3. Qual a relação entre livre-arbítrio e responsabilidade humana em relação ao corpo? Somos responsáveis pelo uso de nosso corpo, para o bem ou para o mal.
É possível ao cristão enfrentar sofrimentos persistentes, inclusive doenças?
Qual deve ser seu comportamento? Sim. Precisamos ter serenidade, paciência e firmeza na fé se enfrentarmos sofrimentos persistentes (Jó 1.20-22; 19.25).
O corpo humano também será alvo da Redenção? Como?
Nosso corpo abatido será transformado para ser conforme o corpo glorioso de Cristo, segundo o seu eficaz poder (Fp 3.20,21).