“Somente deveis portar-vos dignamente conforme o evangelho de Cristo [...].” (Fp 1.27a)
UMA VIDA DIGNA DO EVANGELHO
Uma vida digna do evangelho denota a experimentação do paradoxo central da existência, — perder o mundo para poder ganhar a Cristo.
Leitura Semanal
Texto Bíblico
Filipenses 1.12-15-20,22,23,25-30 12 E quero, irmãos, que saibais que as coisas que me aconteceram contribuíram para maior proveito do evangelho, 13 De maneira que as minhas prisões em Cristo foram manifestas por toda a guarda pretoriana e por todos os demais lugares; 14 e muitos dos irmãos no Senhor, tomando ânimo com as minhas prisões, ousam falar a palavra mais confiadamente, sem temor. 15 Verdade é que também alguns pregam a Cristo por inveja e porfia, mas outros de boa mente; 16 uns por amor, sabendo que fui posto para defesa do evangelho; 17 mas outros, na verdade, anunciam a Cristo por contenção, não puramente, julgando acrescentar aflição às minhas prisões. 18 Mas que importa? Contanto que Cristo seja anunciado de toda a maneira, ou com fingimento, ou em verdade, nisto me regozijo e me regozijarei ainda. 19 Porque sei que disto me resultará salvação, pela vossa oração e pelo socorro do Espírito de Jesus Cristo, 20 segundo a minha intensa expectação e esperança, de que em nada serei confundido; antes, com toda a confiança, Cristo será, tanto agora como sempre, engrandecido no meu corpo, seja pela vida, seja pela morte. 22 Mas, se o viver na carne me der fruto da minha obra, não sei, então, o que deva escolher. 23 Mas de ambos os lados estou em aperto, tendo desejo de partir e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor. 25 E, tendo esta confiança, sei que ficarei e permanecerei com todos vós para proveito vosso e gozo da fé, 26 para que a vossa glória aumente por mim em Cristo Jesus, pela minha nova ida a vós. 27 Somente deveis portar-vos dignamente conforme o evangelho de Cristo, para que, quer vá e vos veja, quer esteja ausente, ouça acerca de vós que estais num mesmo espírito, combatendo juntamente com o mesmo ânimo pela fé do evangelho. 28 E em nada vos espanteis dos que resistem, o que para eles, na verdade, é indício de perdição, mas, para vós, de salvação, e isto de Deus. 29 Porque a vós vos foi concedido, em relação a Cristo, não somente crer nele, como também padecer por ele, 30 tendo o mesmo combate que já em mim tendes visto e, agora, ouvis estar em mim.
Introdução
Depois dos cumprimentos epistolares habituais, que são as saudações iniciais, o apóstolo Paulo aborda aos filipenses a necessidade de uma vida cristã digna. Nesse momento, ele lembra das turbulências quando da implantação da igreja em Filipos, mencionadas no livro de Atos. Entretanto, ao recordar desse fato ocorrido mais de 10 anos antes, Paulo não se lamenta. Pelo contrário, ele glorifica a Deus pelo seu cuidado, esclarecendo que o Senhor cumpriu um propósito maravilhoso.
Tópicos da Lição
UM OLHAR SOBRE A OBRA DE DEUS
Dor gera crescimento
O início da igreja em Filipos foi marcado por perseguições. No entanto, a Bíblia mostra que, muitas vezes, a perseguição contribui para o crescimento do povo de Deus. Os hebreus, por exemplo, foram oprimidos no Egito, mas “quanto mais os afligiam, tanto mais se multiplicavam e tanto mais cresciam” (Êx 1.12). Em Jerusalém, mesmo diante da perseguição, a igreja continuava crescendo (At 2.47). Na igreja macedônica, igualmente, esse fenômeno aconteceu, e Paulo dele testemunhou ao afirmar que “as coisas que me aconteceram contribuíram para maior proveito do evangelho” (Fp 1.12). Assim, mesmo em meio à dor, Deus pode transformar situações difíceis em oportunidades de crescimento e avanço do Evangelho (Sl 126.5,6). Como cristãos, podemos reconhecer que nem toda dor é sinal de derrota. Às vezes, Deus pode estar nos amadurecendo e nos preparando para algo maior dentro da sua obra.
Tudo coopera para o bem
Paulo, em seguida, (Fp 1.13,14) conta a bênção a qual, possivelmente, não era conhecida amiúde pelos irmãos de Filipos: a Guarda Pretoriana, a unidade de elite do exército romano, cuja função era proteger o imperador e a família imperial, além de manter a ordem pública em Roma, estava sendo alcançada por Cristo exatamente por causa do ministério de Paulo na prisão. O que parecia ser um impedimento tornou-se uma oportunidade e estava contribuindo para a expansão do Evangelho. O Diabo tentou deter a marcha do evangelho paulino, encarcerando o apóstolo, porém Deus, com aquilo, fez que a revelação de sua palavra chegasse abundantemente às forças armadas do Império e à casa imperial (Fp 4.22; Rm 16.23). Por outro lado, os irmãos em Cristo, ao saberem das injustiças cometidas contra o apóstolo dos gentios, encorajavam-se e anunciavam a Palavra de Deus com ousadia em todos os lugares. Antes da prisão de Paulo, havia certo obstáculo no alcance da pregação; todavia, após esse episódio, o Evangelho chegou com intensidade aos poderosos, que se convertiam e continuou alcançando as demais pessoas. Somente Deus pode fazer com que todas as coisas cooperem juntamente para o bem daqueles que O amam (Rm 8.28). Quem poderia imaginar que as cadeias que prendiam o apóstolo Paulo propiciariam a libertação de inúmeros integrantes do exército romano, e outros mais, que estavam presos pelo pecado?
“Remédio bom receitado por médico mau”
A bênção de Deus em face da prisão de Paulo alcançou patamares inimagináveis. Até mesmo os inimigos do apóstolo, com o objetivo de causar-lhe sofrimento, movidos por inveja e porfia, intensificaram a disseminação da mensagem da salvação. Os maus obreiros, movidos pelo mal, acreditando que com isso enfraqueceriam a liderança do apóstolo Paulo, na verdade, estavam contribuindo para o crescimento da igreja. O remédio que estava sendo ministrado — a Palavra de Deus — era muito bom, mesmo que estivesse sendo administrado pelos maus obreiros, e isso não impedia a ação benéfica do “medicamento” que veio do Céu. A Palavra de Deus é viva e eficaz e cumpre o propósito para o qual foi enviada (Hb 4.12). Glória a Jesus! A eficácia do Evangelho não depende da perfeição de quem anuncia, mas do poder de Deus, o que exige de cada um de nós responsabilidade com as nossas motivações, sem perder de vista a soberania divina (Rm 1.16; 2 Co 4.1-2,7; 12.9).
A BÊNÇÃO DA MATURIDADE
“Mas que importa”? Ao analisar a atitude de seus opositores, que tentavam
prejudicá-lo como apóstolo, Paulo apresenta uma resposta surpreendente (Fp 1.18) e demonstra maturidade ao não se deixar consumir por conflitos pessoais, mantendo o foco naquilo que realmente importava para ele, que era a pregação do Evangelho de Cristo. Tal atitude nos ensina a agir com sabedoria, direcionando nossa energia para aquilo que tem valor para Deus. Diante de fofocas, intrigas ou atitudes injustas, não devemos agir por impulso, mas demonstrar discernimento e sabedoria para lidar com o problema. No entanto, isso não significa omissão, e nosso posicionamento deve sempre ser com firmeza em defesa da verdade do Evangelho.
“Porque sei...”
Logo após Paulo demonstrar não estar preocupado com as artimanhas dos inimigos, que lhe queriam destruir; ele traz à tona a certeza de que tudo vai dar certo, e que o Reino de Deus sairá triunfante, independente do cenário que surgir, porque Deus está no controle da situação (Fp 1.19). Paulo, como todo aquele que nasceu de novo, compreende o que significa perder esta vida para ganhá-la com Cristo (cf. Mt 16.24-26), entendendo que a vida não se resume ao presente, mas está orientada por valores eternos. Por isso, os filipenses deveriam ter, da mesma forma, a visão voltada para aquilo que ressai preponderante, essencial, importante: a cruz de Cristo, e os interesses do Reino de Deus na Terra.
Vida não preciosa
Nesse encadeamento de ideias, Paulo diz que, quer ele morra, quer ele esteja vivo, Cristo será “engrandecido no meu corpo” (Fp 1.20), demonstrando que não tinha sua vida como preciosa (At 20.24). Em outro momento, ao falar aos crentes de Roma, o apóstolo dos gentios os exortava para que apresentassem seus corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus (Rm 12.1). Quando escreveu aos coríntios, mencionava a necessidade de disciplinar o próprio corpo e reduzi-lo à servidão (1 Co 9.27) e a Timóteo, disse que estava sendo derramado como libação (2 Tm 4.6). Nisso constitui um dos pontos centrais da vida cristã: entender que seguir a Jesus envolve renúncia. Embora o cristão seja mais que vencedor em Cristo (Rm 8.37), ele também aprende a negar a si mesmo, passando a não viver guiado pelos valores deste mundo (1 Jo 2.15-17), mas por uma realidade maior, na qual perder não é o fim, podendo, muitas vezes, ser o caminho para ganhar aquilo que realmente importa para o salvo.
A MARAVILHA DE ESTAR EM CRISTO
Melhor escolher o pior
Paulo relata um conflito: gostaria de estar logo com Cristo no Céu, mas sentia a necessidade de ainda estar presente com os irmãos. Diante do dilema, aduz que o melhor é permanecer vivo neste mundo, para poder auxiliar a vida espiritual da igreja. Ele escolhe, de forma provisória, o que seria o “pior” para si. Ficar nesta terra para combater o bom combate, acabar a carreira e guardar a fé era o desejo do apóstolo Paulo e deveria ser esse o anelo dos filipenses, assim como o nosso. Lembremo-nos de que o Senhor deu, a cada um, talentos para investirem no seu Reino, e não se constitui em sábia decisão enterrá-los (Mt 25.14-30). Isso nos ensina que a vida cristã envolve compromisso. Deus concede dons e responsabilidades, e espera que eles sejam bem utilizados.
Dignidade da vida cristã
“Somente deveis portar-vos dignamente conforme o evangelho de Cristo” (Fp 1.27). Com essas palavras, Paulo, como fez ao escrever aos Efésios (Ef 4.1), exortava para que vivessem à altura do Evangelho, ou seja, que se comportassem como herdeiros de Deus, como embaixadores de Sião, apontando para um estilo de vida coerente com a fé. Essa dignidade, por óbvio, não se traduz em ter abundância de bens materiais, mas em ter, sobretudo, um grande tesouro no Céu. Essa vida digna do Evangelho, portanto, constitui-se no mais elevado padrão de comportamento humano aos olhos do Criador, o que significa agir de maneira consistente com aquilo em que se crê, reconhecendo que o cristão representa Cristo em todas as áreas da vida. Este deve ser o nosso alvo enquanto servos de Deus neste mundo.
O privilégio de sofrer
Após mencionar a necessidade de viver dignamente, Paulo utiliza uma frase que realça a visão de Reino de Deus que ele possuía: “vos foi concedido, em relação a Cristo, não somente crer nele, como também padecer por ele” (Fp 1.29). O sofrimento não deve nos limitar, mas, assim como os heróis da fé, deve nos levar a tirar forças das fraquezas (Hb 11.34). Em regra, porém, o sofrimento desperta autocomiseração e tende a desacelerar nossa caminhada. Tal sentimento deve ser rejeitado, como ensina o apóstolo Paulo ao mostrar que seu próprio sofrimento trouxe bênçãos abundantes ao Evangelho. Por isso, nesse contexto, ele não é visto como obstáculo, mas como parte da caminhada cristã.
Paulo nos ensina que o sofrimento não deve paralisar, mas fortalecer a fé e manter o cristão em movimento.
Conclusão
Assim, para vivermos com intensidade a dignidade da vida cristã, Deus deseja que façamos do sofrimento trampolim para alcançar novos lugares em Cristo. Que a dor nunca seja um peso a nos fazer reduzir a marcha da caminhada e estacionar à margem da estrada da fé, mas que possamos seguir os dignos passos do nosso amado Salvador.
Hora da Revisão
O início da igreja em Filipos foi marcado por perseguições.
Proteger o imperador e a família imperial, além de manter a ordem pública em Roma.
Entender que seguir a Jesus envolve renúncia.
Não se traduz em ter abundância de bens materiais, mas ter, sobretudo, um grande tesouro no Céu.
A que ele pode nos levar? O sofrimento não deve nos limitar, mas, assim como os heróis da fé, deve nos levar a tirar forças das fraquezas (Hb 11.34).