"para que sejais irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio duma geração corrompida e perversa, entre a qual resplandeceis como astros no mundo." (Fp 2.15)
BRILHE A LUZ DE CRISTO EM MEIO À GERAÇÃO CORROMPIDA
Quem conhece a Deus anda com Ele, fala com Ele e, por meio de suas obras, resplandece a glória de Cristo diante dos homens.
Leitura Semanal
Texto Bíblico
Filipenses 2.12-18 12 De sorte que, meus amados, assim como sempre obedecestes, não só na minha presença, mas muito mais agora na minha ausência, assim também operai a vossa salvação com temor e tremor; 13 porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade, 14 Fazei todas as coisas sem murmurações nem contendas; 15 para que sejais irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio duma geração corrompida e perversa, entre a qual resplandeceis como astros no mundo; 16 retendo a palavra da vida, para que, no Dia de Cristo, possa gloriar-me de não ter corrido nem trabalhado em vão. 17 E, ainda que seja oferecido por libação sobre o sacrifício e serviço da vossa fé, folgo e me regozijo com todos vós. 18 E vós também regozijai-vos e alegrai-vos comigo por isto mesmo.
Introdução
Depois de demonstrar seu amor pelos filipenses e explicar como sua prisão contribuiu para o avanço do Evangelho, Paulo continua desenvolvendo um tema essencial: como viver uma vida cristã autêntica. No capítulo 2 da Epístola, após apresentar o exemplo supremo de Cristo, a partir do versículo 12 o apóstolo direciona o foco para a prática, sobre como refletir a luz de Cristo por meio da nossa vida diariamente.
Tópicos da Lição
A OBEDIÊNCIA DOS FILIPENSES
Operar a salvação com temor tremor
Ao analisar o ato de obediência dos filipenses, na presença e na ausência, Paulo usa a frase "operai a vossa salvação com temor e tremor" (v. 12). Essa expressão mostra que a vida cristã devia ser vivida com reverência e seriedade diante de Deus, não apenas quando Paulo estava junto deles. Aqui, a ideia não é que a salvação seja algo estático, mas algo que precisa ser vivido e amadurecido diariamente. Em paralelo com Romanos 8.1, aprendemos que “nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus", porém, no mesmo capítulo, vemos alertas importantes: a) quem vive segundo a carne não pode agradar a Deus (Rm 8.8), e b) se vivermos segundo ela, morreremos espiritualmente (Rm 8.13). Ou seja, a vida em Cristo precisa ser constantemente exercitada, evitando que se viva segundo a natureza humana decaída e que ela nos domine.
Deus é quem opera
Em que pese Paulo atribuir responsabilidade aos filipenses, no sentido de que operem, eo u seja, desenvolvam a salvação, logo em seguida ele apresenta um bálsamo: “porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar” (v.13). O apóstolo dos gentios estava dizendo, em outras palavras: não se preocupem, pois, no assunto salvação, Deus é o operador principal e vocês são seus cooperadores. Assim, o Espírito Santo gera o temor (desejo de santidade) no coração — que significa o “querer" — bem como dá forças para resistir às tentações e provações — o “efetuar". Ressalte-se, entretanto, que a obediência (realização de boas obras) não possui o condão de outorgar a salvação, pois somos salvos pela graça. As boas obras decorrentes da obediência surgem como o resultado da salvação, como está escrito: "Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas" (Ef 2.10).
Sem murmuração, nem contenda Na sequência, Paulo orienta que, em todas as
coisas, os filipenses vivam sem murmuração nem contenda para que Deus se manifeste por meio deles. Sem dúvida, esses dois comportamentos já causaram muitos prejuízos ao povo de Deus, conforme se vê abundantemente nas páginas do Antigo Testamento. É importante destacar que reclamar de tudo e viver em conflito constante não contribui em nada para quem busca crescer espiritualmente. Em Tiago 3.14,15, consta um grave alerta sobre o problema da inveja e da contenda, quando o Espírito Santo adverte que essas coisas têm origem “terrena, animal e diabólica", contrastando com a sabedoria pura e pacífica que vem de Deus, que produz paz. Isso nos mostra que o ambiente de um cristão deve refletir a paz de Cristo, não a divisão.
BRILHE A LUZ DE CRISTO
Irrepreensíveis e sinceros
Os vocábulos que o apóstolo Paulo utiliza para exortar como deve ser o comportamento dos cristãos possuem grande força: irrepreensíveis (gr. amemptos “sem culpa, que não merece censura, livre de falta ou defeito") e sinceros (gr. akeraios "não misturado, livre de malícia, inocente”), fazendo emergir o intenso compromisso que deve ser assumido por todos aqueles que decidem andar com Deus. Assim, para que a luz de Cristo brilhe, é necessário que as boas obras sejam constantes (desenvolvimento da salvação), evidenciando um processo contínuo de transformação, de maneira que o discípulo possa ser reconhecido como livre de falta e malícia, Como isso pode ser possível, diante de tantas fragilidades no nosso amor para com Deus, o que nos faz errar diariamente? Em primeiro lugar, porque é Deus quem opera em nós o querer e o efetuar; em segundo lugar, porque temos o auxílio do Senhor Jesus, conforme 1 João 2.1: “Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o Justo". Ou seja, não se trata de perfeição humana ou de mérito, mas de uma vida que depende de Deus e da sua graça.
Geração corrompida e perversa
Ao falar sobre a geração do primeiro século da era cristã, o apóstolo Paulo a classificou como “corrompida e perversa” (Fp 2.15), no mesmo sentido que o próprio Jesus já a havia chamado de geração “má e adúltera" (Mt 12.39; 16.4) e “incrédula e perversa” (Mt 17.17). Sem dúvida, tanto nos idos da Igreja Primitiva, quando já foi dito que o mundo jazia no Maligno (1 Jo 5.19), quanto nos dias atuais, observa-se um grande distanciamento da sociedade atual em relação ao Criador. O desafio, portanto, de ser fiel a Deus em nossos dias, apresenta-se tão difícil ou, quiçá, até maior, do que nos tempos apostólicos, posto que o amor de muitos já esfriou e o pecado se multiplicou (Mt 24.12). Entretanto, temos um fiel amigo, o Espírito Santo, que nos conduz e orienta pela estrada da vida para que, diariamente, de glória em glória, reflitamos a imagem do Senhor (2 Co 3.18).
Astros no mundo
A palavra no original para designar astros é “phoster", que significa corpo luminoso, como as estrelas ou mesmo o sol. Assim, a Igreja de Cristo precisa ter a Luz do mundo (Jo 8.12) e, também, ser a luz do mundo (Mt 5.14). Precisamos andar na Luz, mas também trazer em nós a natureza da Luz e, assim, ser luzeiros neste mundo mau. Ser "luzeiro" neste mundo é viver de forma que a presença de Cristo seja percebida por intermédio das nossas atitudes, palavras e escolhas. PENSE! Na faculdade, no trabalho, nas redes sociais, você influencia ou é influenciado? Você é luz ou apenas se adapta ao ambiente? PONTO IMPORTANTE! Paulo diz que devemos brilhar como astros no mundo. Isso significa refletir Cristo em meio â escuridão. Não é apenas evitar o pecado, mas iluminar o ambiente onde estamos.
DIA DE CRISTO
Retendo a Palavra
Paulo, ao iniciar o versículo 12, utiliza, no original grego, a palavra epechõ, que traduzida por “retendo”, mas pode significar também “fixar a atenção, segurar com firmeza”, deixando subentendido que os crentes devem aplicar a Palavra de Deus às suas vidas com toda a ênfase, sem distrações, com disciplina e compromisso. “Tu ordenaste os teus mandamentos, para que diligentemente os observássemos” (Sl 119.4) e “escondi a tua palavra no meu coração, para eu não pecar contra ti” (Sl 119.11), entoava Israel por muitos séculos, por inspiração do Céu. Esse deve ser o propósito de todo cristão, a fim de que não se tenha, no Dia de Cristo, descoberto que “correu” e "trabalhou" em vão.
Abnegação, uma vida de entrega
Paulo, na sequência, declara que, mesmo sendo “oferecido por libação sobre o sacrifício e serviço da vossa fé" (v. 17), estava muito feliz. Em outras palavras, Paulo está preso por causa do Evangelho, mas isso não lhe cau-sava dissabor, tristeza, mas regozijo, bem parecido com os apóstolos de Jerusalém, que se regozijavam “de terem sido julgados dignos de padecer afronta pelo nome de Jesus” (At 5.41). Essa abnegação do apóstolo contrasta com uma geração de alguns cristãos ávidos em reclamar da vida, rápidos em criticar, mas pouco dispostos a servir ao Reino de Deus. Paulo, porém, mesmo encarcerado, conseguia louvar a Deus de todo o coração.
Alegria que não depende das circunstâncias, No versículo 18, Paulo procura
levar os filipenses ao mesmo grau de alegria, espiritualidade, desprendimento e amor pela obra de Deus que ele tinha, convidando-os a regozijarem-se e alegrarem-se no Senhor, tema inesquecível na epístola. O martírio de Paulo, episódio que não demoraria muito a acontecer, poderia ser considerado pelos filipenses como uma grande derrota, uma tragédia, mas Paulo estava garantindo que não era assim, mas era, na verdade, parte do avanço do Evangelho. Eles deveriam glorificar a Deus por aquela situação tão desesperadora, sob o prisma humano. Paulo estava conduzindo os filipenses a encontrar uma alegria que ninguém poderia tirar (Jo 16.22). O apóstolo já tinha ensinado que a morte era um lucro para ele, algo preferível, porquanto assim teria admissão à presença de Cristo. Conquistar a coroa do martírio era o grande objetivo da vida de Paulo e, por tal razão, caso isso acontecesse, todos deveriam se regozijar, Paulo, de Logo, já estava regozijando-se e queria que os filipenses assim também o fizessem.
Conclusão
Os filipenses estavam recebendo instruções para resplandecerem o brilho de Cristo, não vivendo um Evangelho superficial, mas comprometidos com a verdade de Deus, com base em uma conduta santa diária, visão correta das circunstâncias da vida e, assim, desfrutando, sempre, de uma alegria não circunstancial como Fruto do Espírito Santo, que permanece mesmo diante da dor e da morte.
Hora da Revisão
Com reverência e seriedade diante de Deus.
Essas coisas têm origem “terrena, animal e diabólica”.
Posto que o amor de muitos já esfriou e o pecado se multiplicou (Mt 24.12).
Viver de forma que a presença de Cristo seja percebida por intermédio das nossas atitudes, palavras e escolhas.
Conquistar a coroa do martírio era o grande objetivo da vida de Paulo e, por tal razão, caso isso acontecesse, todos deveriam se regozijar.