"Guardai-vos dos cães, guardai-vos dos maus obreiros, guardai-vos da circuncisão!" (Fp 3.2)
GUARDANDO-SE DOS FALSOS MESTRES
Os falsos mestres, com a sedução das heresias, podem trazer enorme destruição a indivíduos, famílias e igrejas, mas a sã doutrina produz vida em abundância.
Leitura Semanal
Texto Bíblico
Filipenses 3.1-11 1 Resta, irmãos meus, que vos regozijeis no Senhor. Não me aborreço de escrever- vos as mesmas coisas, e é segurança para vós. 2 Guardai-vos dos cães, guardai-vos dos maus obreiros, guardai-vos da circuncisão! 3 Porque a circuncisão somos nós, que servimos a Deus no Espírito, e nos gloriamos em Jesus Cristo, e não confiamos na carne. 4 Ainda que também podia confiar na carne; se algum outro cuida que pode confiar na carne, ainda mais eu: 5 circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; segundo a lei, fui fariseu, 6 segundo o zelo, perseguidor da igreja; segundo a justiça que há na lei, irrepreensível. 7 Mas o que para mim era ganho reputei-o perda por Cristo. 8 E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas e as considero como esterco, para que possa ganhar a Cristo 9 e seja achado nele, não tendo a minha justiça que vem da lei, mas a que vem pela fé em Cristo, a saber, a justiça que vem de Deus, pela fé; 10 para conhecê-lo, e a virtude da sua ressurreição, e a comunicação de suas aflições, sendo feito conforme a sua morte; 11 para ver se, de alguma maneira, eu possa chegar à ressurreição dos mortos.
Introdução
Ao longo da Epístola aos Filipenses, o apóstolo Paulo menciona, em diferentes momentos, a existência de obreiros que não eram sinceros: os maus obreiros. Logo no início da carta, ele relata que alguns pregavam a Cristo por "inveja e porfia”, tentando aumentar ainda mais o sofrimento do apóstolo durante sua prisão (Fp 1.15-17), Ou seja, havia pessoas que, mesmo anunciando o Evangelho, tinham motivações incorretas. Agora, novamente, Paulo traz uma nova nuance sobre obreiros que não eram sinceros diante de Deus (atuavam provavelmente em Filipos). Esse será o enfoque desta lição,
Tópicos da Lição
MAUS OBREIROS: UMA REALIDADE INQUESTIONÁVEL
No Antigo Testamento
Desde o início da obra ministerial, logo após Deus entregara lei no Monte Sinai, que o surgimento de maus obreiros se tornou uma realidade inegável. Vale lembrar dos sobrinhos de Moisés, Nadabe e Abiú, os quais levaram fogo estranho perante o altar do Senhor e foram consumidos instantaneamente (Lv 10.1,2). Ao longo da história dos juizes de Israel, inúmeros foram os sacerdotes que fizeram o que era mau diante do Senhor, realçando, como exemplos, os corruptos filhos do sacerdote Eli (1 Sm 2.12-17, 22-25), bem como os filhos do abençoado profeta Samuel (1 Sm 8.3). Isso mostra que, desde o inicio, a fidelidade a Deus sempre foi um desafio dentro da própria liderança espiritual.
No Ministério de Jesus
No Ministério de Jesus, igualmente, inúmeros maus obreiros se levantaram, e Ele mesmo advertiu: “Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores" (Mt 7.15), Os sacerdotes, por exemplo, contemporâneos ao tempo da encarnação do Verbo, Anás e Caifás, bem como os abundantes escribas e fariseus, aos quais Jesus classificou como sepulcros caiados, raça de víboras etc,, semelhantemente, ajudam a formar um rol pouco recomendável. Não se pode esquecer, como maior estrela decadente dessa lista, o filho da perdição, o qual se constituía num dos discípulos mais honrados do Salvador, o tesoureiro Judas Iscariotes, cujo fracasso ministerial estava profetizado séculos antes.
No Novo Testamento
Na Igreja Primitiva, no primeiro século, por todos os rincões em que o Evangelho floresceu, inúmeros foram os maus obreiros que causaram mal ao apóstolo Paulo como Alexandre, o latoeiro (2 Tm 4.14-17); Demas, que amou o presente século (2 Tm 4.9,10), dentre muitos outros. Inquestionavelmente, assim, ressai de maneira palmar, que a profecia do apóstoio Paulo aos obreiros em Éfeso, de que “dentre vós mesmos, se levantarão homens que falarão coisas perversas, para atraírem os discípulos", lobos vorazes, que não poupariam o rebanho (At 20.29,30), restou plenamente cumprida. No mesmo sentido, Paulo escrevendo a Timóteo menciona que, nos últimos tempos, muitos cristãos dariam ouvidos a espíritos enganadores e a doutrina de demônios, amontoando para si mestres segundo as suas próprias concupiscências. Não é isso, porventura, o que vemos na sociedade dos dias atuais?
INIMIGOS DO EVANGELHO
Paulo, observando o cenário e a consequência do trabalho dos maus obreiros nos seus dias, analisava o alto grau de reprovabilidade que esses “missionários da primeira hora” alcançaram. Certamente tiveram grandes oportunidades de mudarem o rumo de suas vidas, porém foram insensíveis à voz do Espírito Santo e enveredaram, com isso, por caminho tortuoso, vergonhoso, que os levou à perdição eterna. l. Guardai-vos dos cães. Os cães, como catadores de lixo, eram normalmente detestados pela sociedade greco-romana e considerados impuros pelos judeus que, por vezes, designavam o termo para os gentios. Assim, Paulo reverte a crítica dos judaizantes, denominando esses falsos mestres (judaizantes), que queriam tornar “puros" os cristãos gentios, chamando-os de “cães" (impuros). É preciso Lembrar, também, de que Apocalipse 22.15 diz que os cães ficarão de fora da cidade celestial, fazendo alusão às pessoas que não fazem distinção entre o certo e o errado, as quais podem ser assemelhadas aos relativistas dos nossos dias, que, sendo reputados por mestres, possuem potencial para causar danos ao rebanho. 2. Guardai-vos dos maus obreiros. O segundo aspecto que Paulo abordava desses mestres que perturbavam o trabalho diz respeito a eles serem "praticantes do mal", tentando impor que os gentios se submetessem à Torá. Eles não realizavam ajustiça de Deus, mas eram instrumentos do mal, pois pervertiam o caminho do Senhor, Na versão NVI das Escrituras, a frase “guardai-vos dos maus obreiros” aparece traduzida por “cuidado com os que praticam o mal”, denotando que esses cães, os quais perturbavam os gentios convertidos, empreendiam obra maligna. Eles eram maus obreiros porque faziam maldades. 3. Guardai-vos da circuncisão. Por fim, de maneira estratégica, Paulo exorta que os filipenses se guardassem da “mutilação", uma referência irônica à circuncisão dos gentios, haja vista que usa aqui o vocábulo grego katatomè, que significa “cortarem pedaços, mutilação", e não a expressão peritomê que se traduz por “cortar ao redor, circuncisão". Esse malabarismo linguístico realça-se quando, logo após, Paulo diz “porque a circuncisão somos nós", Portanto, Paulo deseja transmitir a ideia de que esses maus obreiros eram como cães impuros, que praticavam o mal ao mutilarem a fé das pessoas, a pretexto de as circuncidarem, quando, na verdade, “nós" que servimos a Deus no Espírito, nos gloriamos em Jesus Cristo e não confiamos na carne, é que “somos a circuncisão” (v. 3). O contraponto foi perfeito, e os filipenses certamente entenderam muito bem. PENSE! Por que Deus, por vezes, permite que surjam maus obreiros? PONTO IMPORTANTE! O surgimento de maus obreiros, de fato, constitui-se numa grande incógnita. Até Jesus teve que suportar Judas Iscariotes.
O PERIGO DAS FALSAS DOUTRINAS
O versículo “um pouco de fermento leveda toda a massa” (Gl 5.9) dá o tom do perigo das falsas doutrinas, ou seja, não se faz necessário que existam elementos heréticos abundantes para ocorrerem sérios prejuízos no Corpo de Cristo, Assim, todo o cuidado é pouco ao tratar com os falsos mestres, os quais têm, em regra, personalidade cativante, como a da serpente do Éden, e suas mensagens possuem a mesma natureza daquela que fez pecar os pais da humanidade: Deus disse 'não comerás', mas não é bem assim, fazendo ruir a gloriosa harmonia espiritual e material existente. l. As falsas doutrinas agradam. Paulo, em 2 Timóteo 4 3. fala sobre o perigo das falsas doutrinas, notadamente nos últimos tempos, pois os homens “amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências”, isto é, os falsos mestres serão admitidos de acordo com a "docilidade" de suas idéias doutrinárias, as quais devem “encantar o cliente". Dessa forma, em regra, no afã de conquistar adeptos, os falsos mestres amenizam o “negar-se a si mesmo e tomar sua cruz", e acrescentam a ideia de que “você é o ponto fraco de Deus”, trazendo elementos psicológicos de autoajuda, e arrematam garantindo um bem-estar sem precedentes, o pacote completo do autoengano.
2. As falsas doutrinas seduzem. A sedução dos falsos ensinos apoia-se em dois elementos básicos: carisma (não caráter) dos seus propagadores (são experts na arte da enganação, como Satanás), como diziam os antigos pastores: "vêm com sapatinhos de lã", sem fazer barulho, e suas mensagens apresentam, — isso é o mais decisivo —, vantajosas, mas irreais promessas, tais como a que Satanás fez a Eva: “e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal" (Gn 3.5): ou mesmo quando tentou a Jesus dizendo: “Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares" (Mt 49). Uma fórmula maligna que tem logrado sucesso por milênios! Como dito: todo cuidado é pouco. 3. As falsas doutrinas destroem impiedosamente. Paulo, ao falar sobre as consequências dos ensinos dos falsos mestres, menciona que “transtornam casas inteiras, ensinando o que não convém, por torpe ganância" (Tt 1.10,11). O vocábulo grego traduzido, nessa passagem, por transtornam, é anatrepo, que também pode significar perverter (ARA, NAA), derrubar, arruinar (NVI), destruir (VFL). subverter, esclarecendo o alcance do que uma falsa doutrina pode causar em casas inteiras, ou seja, não prejudica somente uma pessoa, mas produz uma enxurrada com potencial de destruir toda a familia.
Conclusão
Hoje, em dias de relativismo e ecumenismo, muitos cristãos tèm dado as mãos a falsos mestres, que proliferam ensinos heréticos. Todavia, a Bíblia sempre advertiu a manter distância dos tais. O apóstolo Paulo (Tt 1.10,11) e o apóstolo João (2 Jo 1.10), por exemplo, ensinavam “tolerância zero" com os falsos mestres! Que Deus ajude sua igreja a se manter livre dos engodos do Maligno.
Hora da Revisão
Paulo está denotando que numa agremiação eclesiástica dificilmente nos livraremos dos maus obreiros.
Os cães, como catadores de lixo, eram normalmente detestados pela sociedade greco-romana e considerados impuros pelos judeus.
Eles não realizavam a justiça de Deus, mas eram instrumentos do mal, pois pervertiam o caminho do Senhor.
Amenizam o “negar-se a si mesmo e tomar sua cruz”, e acrescentam a ideia de que “você é o ponto fraco de Deus”, trazendo elementos psicológicos de autoajuda, e arrematam garantindo um bem-estar sem precedentes, o pacote completo do autoengano.
O apóstolo Paulo (Tt 1.10,11) e o apóstolo João (2 Jo 1.10), por exemplo, ensinavam “tolerância zero” com os falsos mestres.