"prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus." (Fp 3.14)
O ALVO SUPREMO: CONHECER A CRISTO
O andar pela fé consiste em prosseguir firmemente, sem retroceder, aguardando a volta de Cristo, quando nossos corpos serão transformados e teremos acesso à cidade celestial.
Leitura Semanal
Texto Bíblico
Filipenses 3.12-17, 20,21 12 Não que já a tenha alcançado ou que seja perfeito; mas prossigo para alcançar aquilo para o que fui também preso por Cristo Jesus. 13 Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam e avançando para as que estão diante de mim, 14 prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus. 15 Pelo que todos quantos já somos perfeitos sintamos isto mesmo; e, se sentis alguma coisa doutra maneira, também Deus vo-lo revelará. 16 Mas, naquilo a que já chegamos, andemos segundo a mesma regra e sintamos o mesmo. 17 Sede também meus imitadores, irmãos, e tende cuidado, segundo o exemplo que tendes em nós, pelos que assim andam. 20 Mas a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, 21 que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas.
Introdução
Após declarar que abriu mão de seus próprios méritos e os considerou "esterco” (perda) por amor a Cristo (Fp 3,8), o apóstolo Paulo descreve sua vida cristã como uma metáfora acerca das corridas nos jogos da antiguidade, identificando-se como um corredor consciente e persistente; alguém que não está disposto a desistir por nada, até que conquiste a vitória. Paulo se vê como alguém que ainda está em movimento, avançando com determinação rumo ao alvo final; conhecer ptenamente a Cristo e alcançar a plenitude da salvação.
Tópicos da Lição
CONHECENDO PLENAMENTE A CRISTO
“Não que já a tenha alcançado”
O apóstolo Paulo não está mencionando, aqui, que seja um cristão sem estatura espiritual, despreparado, fraco, mas ressalta que, tendo em vista a glória do conhecimento completo de Cristo, das realidades que serão concretizadas no futuro, alusivas ao alvo escatológico expresso em Filipenses 3,10,11, ele ainda não alcançou e também que ele ainda está em estado de imperfeição. Assim, Paulo sintetiza a incompletude espiritual de todos nós, sentimento bastante distinto dos judaizantes, As melhores pessoas reconhecem sua imperfeição no estado presente. Ainda não alcançamos a perfeição, ainda não somos perfeitos, ainda há muita coisa em todos os nossos deveres em que falhamos, Possuir a verdadeira graça gera o desejo por mais graça e umã necessidade para alcançar a perfeição da graça.
"Prossigo"
Paulo conclui que esse futuro pertence somente àqueles que perseveram ou, utilizando suas palavras, aos que prosseguem. Assim, como ainda não chegou ao alvo mencionado nos versículos 10 e 11, ele avança com todas as suas forças em direção a esse objetivo escatológico: sua apreensão final de Cristo, um desfecho perfeito para alguém que afirmou que o viver é Cristo e o morrer é ganho. Paulo sabia perfeitamente que Deus pode usar quem porventura vier a falhar, mas não usa quem desiste. Muitas pessoas, por quererem ser mais justas que Deus, desistem da jornada e param no meio do caminho por causa de seus pecados; outras, desistem porque se sentem sem forças para prosseguir. Mas aqueles que, como Pedro, arrependem-se e lançam-se aos pés do Salvador, “subirão com asas como águias" (Is 40.31), sendo restaurados e fortalecidos para continuar.
“Não julgo que o haja alcançado", Nos versículos 13 e 14, Paulo continua com a
ideia da metáfora atlética, reforçando, a princípio, que ainda há algo a percorrer, posto que o alvo ainda não foi alcançado. Todavia, como um bom corredor, ele deveria permanecer atento ao propósito maior da sua vida: o prêmio da soberana vocação em Cristo. O grande problema de muitas peso-s soas reside exatamente aqui: acreditam que já tenham chegado ao fim das suas conquistas espirituais e, por isso, abandonam as disciplinas da vida cristã, como a oração, a leitura da Palavra e a consagração. Um bom atleta, metaforicamente falando, não abandona a sua carreira antes de completá-la. Paulo era assim, por isso repete essa declaração, fazendo coro ao texto bíblico que diz: “Conheçamos e prossigamos em conhecer o Senhor" (Os 6.3). PENSE! Você concorda que Deus pode usar quem falha, mas não usa quem desiste? PONTO IMPORTANTE! Seguir a Cristo é escolher continuar, mesmo quando há falhas, cansaço ou dificuldades, confiando que Deus sustenta quem não desiste.
UMA COISA FAÇO
Paulo, como um atleta competente, reunia todos os seus esforços em algo que era o mais relevante, o que ele reduziu na frase “uma coisa faço” Mesma ideia do rei Davi quando disse que uma coisa pediu ao Senhor (Sl 274), bem como Jesus ao falara Marta que somente uma coisa era necessária. Essa “coisa”, assim, não era a única, porém a mais importante a ser feita, a qual, sendo realizada, todo o restante daria certo. 1, Esquecendo-se do passado. Paulo, como um bom atleta, e também os filipenses, não deviam concentrar suas forças naquilo que ficou para trás, mas somente no alvo a ser alcançado. Ora, judaizantes estavam a todo tempo estimulando os filipenses a olharem para trás e a cumprirem as regras da Torá. Porém, o apóstolo dos gentios tinha dito que essas coisas ele reputava como esterco, e que todos deveriam se esforçar para seguirem frente. Paulo estava dizendo: deixe o passado no passado, estenda-se para frente, dirigindo-se para o seu alvo, atingindo frontalmente o dilema de muitos. Esse, de fato, apresenta-se como o grande problema de muitas pessoas, as quais permanecem presas aos fatos do passado (sejam culturais e pessoais, sejam familiares e sociais), dos quais não conseguem se libertar, minando suas forças para seguirem adiante. 2. Avançando. O avanço até essa linha de chegada escatológica, alvo supremo de todo cristão — que se encontra depois do episódio da primeira ressurreição dos mortos — ressai como grande propósito do apóstolo: ser achado nEle, circunstância que se aperfeiçoará somente após os crentes transporem as portas da eternidade. Por óbvio, muitos coaches tentam utilizar esse texto para estimular seus alunos a chegarem ao “topo” e permanecerem lá; entretanto, o sentido dessa Escritura reside completamente na seara espiritual. 3. Soberana vocação. O alvo do apóstolo, para o qual ele diz prosseguir, demonstra que ele corre uma corrida e nunca desiste antes do fim, mas continua seguindo em frente o mais rapidamente possível, assim como aqueles que têm o céu em mente, devem continuar seguindo em frente com desejos santos e esforços e preparativos constantes. Quanto mais preparados estivermos para o céu, mais rapidamente deveremos seguir em frente. O céu deve ser chamado de alvo porque resume o que cada cristão genuíno tem em vista, semelhantemente ao corredor que mantém os seus olhos fixos no objetivo que deseja alcançar. Se o atleta, em sua carreira, olhar para os lados, se distrairá, perderá a passada e a queda será a consequência. Todos os esforços serão desperdiçados e o seu fim será triste. PENSE! Por que Paulo usa a metáfora de um atleta para retratara jornada cristã? PONTO IMPORTANTE! O atleta vencedor sempre se disciplina, preparando-se para a competição. Por outro lado, quando está na corrida, tem como foco passar na linha de chegada e, por isso, não olha para trás, só para o alvo, visando ganhar o prêmio.
O PRESENTE EO FUTURO
‘Andemos" e “sintamos"
Diante do quadro de imperfeição dos cristãos, a admoestação paulina concentra-se nas palavras “andemos" e “sintamos” (v. 16), ou seja, o cristão deve se comportar de maneira a glorificara Cristo, imitando a vida do apóstolo Paulo, e também abrigando “o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus” (Fp 2.5). Esse desafio concentra-se em prosseguir andando dignamente, apesar dos inimigos da cruz de Cristo, irmanados no mesmo sentimento que já haviam alcançado. Isso envolve tanto o comportamento externo quanto a disposição interior, porque a vida cristã exige coerência entre atitudes e sentimentos moldados por Cristo. O cristão é chamado a andar de forma digna, mesmo em meio a pressões e desafios (Ef 4.1).
“Nossa cidade está no Céu"
Paulo conclui o capítulo retornando ao prêmio escatológico (Fp 3.11-14), falando sobre uma melhor cidadania, assunto importante numa cidade que detinha o status de colônia romana, como era Filipos. “Nossa cidade está no céu” (v. 20) era um alerta para que os filipenses não almejassem o modo de vida daquele lugar, porém tivessem a sua visão voltada para o futuro, a glorificação, realçando o fato de que eles já possuíam a cidadania celestial. Em nosso mundo, atualmente, vive-se uma crise imigratória sem precedentes. Pessoas querem assumir novas nacionalidades. Talvez algum cristão daquela época pensasse também assim, mas Paulo deixa claro que somos forasteiros e peregrinos e, portanto, nossa verdadeira cidadania é a celestial. Quando temos consciência disso, passamos a pensar, agir e a escolher nossas prioridades com vistas ao Céu.
‘‘Transformará nosso corpo abatido"
Por fim, Paulo concentra-se na vinda de Cristo, comunicando que Ele transformará os corpos corruptíveis (v. 21) dos cristãos em corpos gloriosos, realizando tudo isso conforme o seu poder de sujeitar todas as coisas. Aqui, novamente, além de injetar esperança nos filipenses sobre o futuro, lança luzes sobre o Grande Imperador e Senhor do universo, que não era o César, mas o Senhor Jesus Cristo. O texto não poderia ser concluído de melhor maneira para os filipenses. Fecha-se com “chave de ouro”, e isso traz esperança e consolação à igreja, mostrando que o sofrimento presente não é o fim da história. Paulo reafirma que o futuro em Cristo será glorioso para a Igreja e, quanto ao presente, eles poderiam descansar, porque Deus está no controle e, ademais, Cristo está voltando. Tais verdades, inequivocamente, estimulavam os destinatários da epístola a andarem dignamente, atentando para a vocação a que foram chamados, fazendo-os avançar incansavelmente na direção do alvo, pelo prêmio da soberana vocação.
Conclusão
O chamado cristão se traduz como uma soberana vocação, ou seja, a mais importante, e encontra seu desfecho no futuro da salvação, a glorificação. Dessa forma, o prêmio almejado por todo crente em Cristo recompensará todos os esforços ao longo da vida. Com vistas a atingir esse propósito de chegar à “nossa cidade", torna-se necessário manter constantemente os olhos no Céu, nosso alvo, onde habitaremos na Casa do Senhor por longos dias.
Hora da Revisão
Ele usa a metáfora acerca das corridas nos jogos da antiguidade, identificando-se como um corredor consciente e persistente.
Paulo sintetiza a incompletude espiritual de todos nós.
Paulo reunia todos os seus esforços em algo que era o mais relevante, o que ele reduziu na frase “uma coisa faço”. Essa “coisa”, assim, não era a única, porém a mais importante a ser feita, a qual, sendo realizada, todo o restante daria certo.
Andemos e sintamos.
Torna-se necessário manter constantemente os olhos no Céu, nosso alvo.